Tempo Submerso
Tempo submerso
Regresso todos os dias em Dezembro, quando as camélias despontam flores que lembram a aridez felina dos corpos. O basalto frio na pele, lembra as marcas deixadas no tempo, onde algures sentado, ao teu lado desejei adormecer e não mais acordar.
Sento-me sempre no mesmo lugar.
O lugar onde te avisto tão próxima no horizonte da minha ansiedade. A pele pura nórdica da minha consolação. Pergunto-me se algum dia voltará. Ali, adormeço horas-a-fio.
Tens os lábios molhados e, o desejo por consumar quando a lágrima pende com sorrisos à mistura.
Apela-me a tua imagem, tuas mãos, o seio entremeio, o botão desprendido, alva teu peito que envenenam os meus sentidos. E rogo... que esta imagem perdure, até que eu me canse e adormeça para sempre, assim no teu colo, quente e fogoso, macio e ajeitado, doce e amargurado.
Sei que a saudade, algures onde vives bate à tua porta todos os dias e, quando a neve cai revives o calor que juntos vivemos.
As flores ainda não atingiram o seu máximo encanto, mas o fascínio da tua imagem persegue-me como a planta necessita do sol.
Ainda há pouco o vento juntou as pétalas da nossa consolação, e sei que algures nas tuas mãos, uma lágrima pende, à ingratidão da lonjura das nossas vidas, que nem tu nem eu desejamos viver. Mas, o vento secretamente, separou… o muro do mar… O horizonte tornou-se uma linha farpada de picos e de lanças. E, o secreto mistério que um dia guardamos, parece desvanecer no tempo que, nos consome, numa orgia de gozos e troças.
Amor, de onde emana essa força, secreta e oculta. Que secretos mistérios guardam a alma, quando a dor se perde na lonjura da parca vida?
E assim, prendo-me nas margens desse olhar: tua voz que há muito não ouço. Desdenho-me e culpo-me, pelo vazio que me preenche; a alma que se profana num sacrilégio constante porque não dás sinal. E, por isso, me revolto com o infinito silêncio da tua voz. Apetece-me rejeitar as pétalas que tuas mãos colheram há muito, e que guardo entre as páginas deste livro.
Nove Dezembros passaram, sem uma primavera. O Outono ficou cravado, algures no tempo, cujas folhas, nenhuma mão como as tuas se atrevem a guardar pétalas, entre páginas de tantos livros, igual a este. Dói-me a visão corroída de ti, saber que um dia se dissipará na memória dos meus afectos.
Mas, quando novamente adormeço falam os teus olhos, quando algures meditas nos meus, postos no nada, no meu espaço e no teu. Mas se quebro o silêncio desse sono, nas palavras por instantes entre nós ditas, abrem-se a visão dos tempo e, lembro os momentos da nossa cumplicidade: o eterno e oculto desejo de te amar.
O que restar será apenas tempo… O tempo, algures entre a espada e a vida. Entre a vida e a prece, o resto, o terço, a oração. E quando tudo for mais forte que o coração, que restem as luzes do dia e da noite… “quando te foste”.
O tempo será o prefácio que, nesta página, no seu términus, guardo impune vulto, exorcizado das minhas mãos cálidas, quando desejei possuir-te pela primeira vez, com toda profundeza do meu ser, e acolher-te com os braços da lua, sobre a erva amena do teu leito, e unir-te a mim com fremência e desacordo das horas: prostrar-me sobre o teu ventre ainda quente e macio, tomar nos meus lábios as partículas do perfume da tua pele. Viajar nos teus seios, como que uma criança amamentada procura o seio da mãe.
E na maravilha geográfica do teu corpo beijo a rosa…, essa que emana o mar da vida.
E, pela aurora, mulher, promissora, serpentearás no resto que me resta, antes de acordar, no entremear da minha inquietação quando o dia, já longe, se despedir.
Regresso todos os dias em Dezembro, quando as camélias despontam flores que lembram a aridez felina dos corpos. O basalto frio na pele, lembra as marcas deixadas no tempo, onde algures sentado, ao teu lado desejei adormecer e não mais acordar.
Sento-me sempre no mesmo lugar.
O lugar onde te avisto tão próxima no horizonte da minha ansiedade. A pele pura nórdica da minha consolação. Pergunto-me se algum dia voltará. Ali, adormeço horas-a-fio.
Tens os lábios molhados e, o desejo por consumar quando a lágrima pende com sorrisos à mistura.
Apela-me a tua imagem, tuas mãos, o seio entremeio, o botão desprendido, alva teu peito que envenenam os meus sentidos. E rogo... que esta imagem perdure, até que eu me canse e adormeça para sempre, assim no teu colo, quente e fogoso, macio e ajeitado, doce e amargurado.
Sei que a saudade, algures onde vives bate à tua porta todos os dias e, quando a neve cai revives o calor que juntos vivemos.
As flores ainda não atingiram o seu máximo encanto, mas o fascínio da tua imagem persegue-me como a planta necessita do sol.
Ainda há pouco o vento juntou as pétalas da nossa consolação, e sei que algures nas tuas mãos, uma lágrima pende, à ingratidão da lonjura das nossas vidas, que nem tu nem eu desejamos viver. Mas, o vento secretamente, separou… o muro do mar… O horizonte tornou-se uma linha farpada de picos e de lanças. E, o secreto mistério que um dia guardamos, parece desvanecer no tempo que, nos consome, numa orgia de gozos e troças.
Amor, de onde emana essa força, secreta e oculta. Que secretos mistérios guardam a alma, quando a dor se perde na lonjura da parca vida?
E assim, prendo-me nas margens desse olhar: tua voz que há muito não ouço. Desdenho-me e culpo-me, pelo vazio que me preenche; a alma que se profana num sacrilégio constante porque não dás sinal. E, por isso, me revolto com o infinito silêncio da tua voz. Apetece-me rejeitar as pétalas que tuas mãos colheram há muito, e que guardo entre as páginas deste livro.
Nove Dezembros passaram, sem uma primavera. O Outono ficou cravado, algures no tempo, cujas folhas, nenhuma mão como as tuas se atrevem a guardar pétalas, entre páginas de tantos livros, igual a este. Dói-me a visão corroída de ti, saber que um dia se dissipará na memória dos meus afectos.
Mas, quando novamente adormeço falam os teus olhos, quando algures meditas nos meus, postos no nada, no meu espaço e no teu. Mas se quebro o silêncio desse sono, nas palavras por instantes entre nós ditas, abrem-se a visão dos tempo e, lembro os momentos da nossa cumplicidade: o eterno e oculto desejo de te amar.
O que restar será apenas tempo… O tempo, algures entre a espada e a vida. Entre a vida e a prece, o resto, o terço, a oração. E quando tudo for mais forte que o coração, que restem as luzes do dia e da noite… “quando te foste”.
O tempo será o prefácio que, nesta página, no seu términus, guardo impune vulto, exorcizado das minhas mãos cálidas, quando desejei possuir-te pela primeira vez, com toda profundeza do meu ser, e acolher-te com os braços da lua, sobre a erva amena do teu leito, e unir-te a mim com fremência e desacordo das horas: prostrar-me sobre o teu ventre ainda quente e macio, tomar nos meus lábios as partículas do perfume da tua pele. Viajar nos teus seios, como que uma criança amamentada procura o seio da mãe.
E na maravilha geográfica do teu corpo beijo a rosa…, essa que emana o mar da vida.
E, pela aurora, mulher, promissora, serpentearás no resto que me resta, antes de acordar, no entremear da minha inquietação quando o dia, já longe, se despedir.

3 Comments:
Olá!
Obrigada pelo carinho perfumado que deixaste no meu cantinho! Volta sempre.
Conhecer este teu espaço foi uma alegre surpresa para mim...deu para sentir a beleza da tua alma e acompanhar as melodias que vêm de dentro de ti.
Escolhi comentar este post, pois considerei-o LINDO, apesar de triste.
Um abraço de estrelinhas*
Fanny
Um Sonho...Um sonho.Ao ler as tuas palavas,lembro-me de uma imagem que vi ,numa manhã de Dezembro salvo erro,na véspera de Natal!Um homem jovem sentado num banco do parque que se situa atrás do meu prédio,a ler o jornal...O filho brincava no parque...Sempre que lá passo(todos os dias)vem-me à memória essa imagem...Como fiquei FELIZ!Ah!E estava um lindo dia de Sol!Saudade,muita saudade!Não me quero separar,porque o Vento nunca me faria uma afronta dessas!O Horizonte,para mim,mão tem farpas,porque cortei-as com uma serra de Rosas.O mistério continua,o mistério da vida,com força,muita força...Que vem lá de longe,dos confins do Universo,onde habita a Alma e onde os meus olhos conseguem ver o meu Amor e enchê-lo de luz e carinho para que não fique vazio e para que as pétalas que colhi,continuem viçosas e que continuem os momentos de cumplicidade:"o eterno e oculto desejo" de nos amarmos!
Vaguer:quando vens até mim?Porque me fazes chorar?Porque o meu coração possui um nó frequente?Porque passo o tempo a olhar para aquele banco do parque?Porquê que farto-me de olhar para a estrada,para vêr se te vejo?Porque olho na direcção em que moras?Porque tenho duas miniaturas,onde estão esculpidos dois leões,um pequeno e um grande e que estão `a entrada do meu segundo local de trabalho? Porque coloquei poemas na porta?Na montra?
Não me esqueças...
Post a Comment
<< Home